'Negro sujo e macaco': porteiro de escola particular denuncia racismo de alunos e demissão em Campinas
'Negro sujo e macaco': porteiro de colégio denuncia racismo de alunos em Campinas O ex-porteiro de uma escola particular de Campinas (SP) procurou a Polícia C...
'Negro sujo e macaco': porteiro de colégio denuncia racismo de alunos em Campinas O ex-porteiro de uma escola particular de Campinas (SP) procurou a Polícia Civil para denunciar um caso de racismo que sofreu no trabalho, ao ser xingado por um alunos de "negro sujo", "macaco" e "sub-raça". Segundo Rodnei Ferraz, após denunciar o fato à direção, ele acabou demitido. "É revoltante, porque você se sente frágil, e impotente com essa situação ridícula que aconteceu comigo", disse a vítima. LEIA TAMBÉM: Escola de Campinas nega relação entre demissão e denúncia de racismo feita por porteiro 'Educação vem de berço': porteiro diz ter se sentido constrangido ao ser chamado de 'negro sujo' por alunos Polícia investiga denúncia do porteiro e MPT apura conduta da instituição O caso ocorreu em dezembro de 2025, mas o g1 teve acesso ao boletim de ocorrência nesta terça-feira (10). O Colégio Objetivo Barão Geraldo informou, em nota, que repudia qualquer ato de racismo e todo tipo de preconceito, que a demissão de Rodnei não teve relação com o caso e que "atitudes indisciplinares de alunos são analisadas com rigor e proximidade". Veja a nota completa clicando AQUI. O caso do porteiro é mais um de uma estatística que cresce ano a ano. Segundo o Disque 100, foram 1.088 denúncias de racismo em todo o estado de São Paulo em 2025, alta de 20,2% (foram 905 em 2024). Só em Campinas, foram 26 denúncias em 2025, pouco mais de duas por mês. No mesmo período do ano anterior, foram 21. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp 'Negro sujo e macaco' O porteiro Rodnei Ferraz procurou a Polícia Civil para denunciar um caso de racismo ao ser ofendido por estudantes de uma escola particular de Campinas (SP) Reprodução/EPTV Segundo a vítima, o caso ocorreu no dia 15 de dezembro, em uma unidade do colégio particular que fica no distrito de Barão Geraldo. O homem narrou à Polícia Civil que três alunos do ensino médio estavam na escola para fazer provas de recuperação, quando foram brincar em frente da escola sem supervisão de monitores. "Eles estavam fazendo muita baderna, um entra e sai constante, e nisso eles entraram num banheiro e dentro do banheiro começou uma gritaria, e eu chamando a atenção. (...) Mas aí ele chegou e falou: 'eu pago o seu salário, você é um sub-raça, um negro sujo e um macaco'", disse. Porteiro de escola particular denuncia racismo de alunos e demissão em Campinas Trabalhando há 20 anos na área, Rodnei conta que estava havia quatro meses no colégio, e que ficou sem reação diante das ofensas racistas proferidas pelo adolescente. "Eu dei um choque e chamei minha rendição para me render, para não ficar perto dessas crianças que eles chamam de criança, mas com 17, 16 anos, acho que já tem uma visão. E a educação vem de berço e, naquele momento, eu me senti muito constrangido", destaca. O que diz o Colégio Objetivo "O Colégio Objetivo Barão Geraldo repudia qualquer ato de racismo e todo tipo de preconceito. Os valores da escola estão respaldados na formação humana, tratada como um importante pilar no desenvolvimento dos alunos. Trabalhos assíduos são realizados, desde a Educação Infantil, até o Ensino Médio, para a construção e o fortalecimento de princípios como respeito, empatia, convivência e responsabilidade social em diversas disciplinas e eventos. Atitudes indisciplinares de alunos são analisadas com rigor e proximidade. Em ações que desrespeitam regras, seguimos o nosso regimento interno em que, dependendo de cada situação, o aluno pode receber uma advertência, suspensão ou até mesmo expulsão, se constatado a necessidade e respeitado o caráter pedagógico. Em relação ao fato objeto da matéria jornalística, a escola faz os seguintes esclarecimentos: Rodnei Ferraz trabalhava como porteiro na unidade desde o dia 1/8/2025; O tema foi tratado com extrema cautela, profunda atenção e seriedade uma vez que envolve menores de idade, por isso, a escola fez contato com os alunos envolvidos, colaboradores e com as famílias; A acusação do funcionário foi apurada internamente, tendo os alunos negado a prática de qualquer ato racista; O desligamento do funcionário não teve qualquer ligação com os fatos. Reforçamos nosso papel social e empenho em lidar com a situação de forma ética e com profissionalismo. A escola está contribuindo com as autoridades competentes". Entenda a diferença entre racismo e injúria racial VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas